Assinalou-se no passado dia 12 de Fevereiro o aniversário da morte deste grande nome do fado!
Nascido no Barreiro a 20 de Dezembro de 1928, Fernando Farinha foi, sem sombra de dúvida, uma das mais relevantes figuras da chamada Canção Nacional.
Em 1957 é nomeado “A Voz Mais Portuguesa de Portugal* pela Rádio Peninsular, no Brasil
Conhecido pelo *Miúdo da Bica* Fernando Farinha passeou a sua classe e o seu enorme talento pelos grandes palcos nacionais e internacionais tenho sido galardoado como Rei da Rádio no ano de 1962
Em 1963 vence o primeiro galardão de Disco de Ouro e ganha também o Óscar da Casa da Imprensa.
Autor, compositor e intérprete, Farinha teve ainda o talento suficiente para ser figura central nos filmes *Miúdo da Bica e Última Pega.
Muito há para dizer sobre Fernando Farinha, no entanto, apenas me apraz deixar aqui o seu fado *EU ONTEM E HOJE* onde o
saudoso artista se autobiografa.
P´ra que todos fiquem certos
Do meu passado e presente;
Eis a história realista
Eis a história realista
Do homem, deste fadista
Que aqui está na vossa frente
Fernando Tavares Farinha
Que aqui está na vossa frente
Fernando Tavares Farinha
É este o meu nome inteiro;
Na Bica feito pró fado
Na Bica feito pró fado
E nascido e batizado
No concelho do Barreiro
Em mil nove e vinte e nove
No concelho do Barreiro
Em mil nove e vinte e nove
Fiz-me ao mundo em ser humano;
Quinto filho, quinta asneira
De mãe nascida na Beira
Quinto filho, quinta asneira
De mãe nascida na Beira
E de pai alentejano
Triste foi a minha infância
Triste foi a minha infância
De enxerga velha e pão duro;
E mal sete anos somei
E mal sete anos somei
Logo ao fado me entreguei
E fiz dele o meu futuro
Da pobreza dos meus pais
E fiz dele o meu futuro
Da pobreza dos meus pais
Se formou o meu sentir;
Ganhei fama e alguns cobres
Ganhei fama e alguns cobres
Mas luto p´lo bem dos pobres
Não me deitei a dormir
E aqui têm o Farinha
Não me deitei a dormir
E aqui têm o Farinha
Que embora errando também;
Com percalços na subida
Com percalços na subida
Construiu a sua vida
Sem se vender a ninguém
Farinha, muito obrigado
Por tudo o que deu ao fado
Sem se vender a ninguém
Farinha, muito obrigado
Por tudo o que deu ao fado