A MEMÓRIA DO TEMPO
Por: José Fernandes CastroO tempo passa!
Porém, não passam da nossa memória os momentos mais relevantes do ciclo existencial de cada um, com especial destaque para os que, através do talento se tornaram figuras imortais.
Vem este artigo, a propósito, do desaparecimento (apenas carnal) de
um dos mais notáveis poetas do nosso século, e da nossa humilde, mas rica
história cultural:
Falo de: José Carlos Ary dos Santos, que foi, para quem o compreendeu e até para aqueles que, (por motivos alheios á cultura) não lhe prestaram a devida e justíssima homenagem, um símbolo de modernidade poética traduzida na forma excelente e mui rica, como escreveu os seus textos, dando-lhes o cunho real da justiça, da paz, da inteligência, e da revolta
com que viveu!
Numa altura, em que o estado sócio-político, estava muito aquém
Numa altura, em que o estado sócio-político, estava muito aquém
das suas opções, Ary, teve a coragem natural e invulgar de manifestar
o seu descontentamento, correndo o risco de se ver relegado para
planos pouco condizentes com a sua grande estrutura intelectual
artística e pedagógica.
Embora odiado e temido por alguns, José Carlos Ary dos Santos
Embora odiado e temido por alguns, José Carlos Ary dos Santos
foi amado por muitos mais.
O fado, as canções, e o teatro, foram, damas que defendeu com
O fado, as canções, e o teatro, foram, damas que defendeu com
o brilho do seu poder criativo, e aos quais deixou, como herança
uma obra tão vasta e tão notável, na qual, ainda hoje se pode beber sabedoria.
Bem hajam, todos os que tiveram o privilégio de o entender!
Que tão grande nome perdure na nossa memória, e na memória
Bem hajam, todos os que tiveram o privilégio de o entender!
Que tão grande nome perdure na nossa memória, e na memória
do tempo durante o tempo todo!
Ary deixou-nos ficar
Uma profunda saudade
Gerando, para nos dar
Um sopro de felicidade
Ary deixou-nos ficar
Uma profunda saudade
Gerando, para nos dar
Um sopro de felicidade